domingo, 6 de maio de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Os negros e o poder: a importância das candidaturas negras.
Professor Toninho
Presidente Municipal do PSOL de Embu das Artes
Em 21 de fevereiro de 1965, uma das vozes mais radicais do protesto negro norte-americano foi ouvida pela última vez, para uma assistência formada por colaboradores mais próximos, em torno da OUAA (Organização da Unidade Africano-Americana), inspirada nos ideais do Panafricanismo e da libertação do continente africano do jugo colonialista. Este ano completam-se 47 anos de sua morte.
Malcom X já figurava há anos nas listas do FBI e da CIA e todos os seus passos eram monitorados pelas agências de inteligência do império. Quando Malcom X rompe com os Mulçumanos Negros liderados por Elijah Muhammad, ele inicia uma viagem a Meca e ao Oriente Médio, a África e a Europa onde estabelece contato com os movimentos de libertação africano, comunistas, socialistas e revolucionários.
Este contato faz com que Malcom rompa os estreitos limites do nacionalismo negro – a ideia de que a libertação do negro norte-americano se daria pela formação de um estado negro na América – pela necessidade da unidade histórica dos povos não-brancos em luta contra o domínio imperialista. O líder negro norte-americano, desta maneira, introduz a necessidade de não apenas os negros se organizarem no sentido da busca do poder, mas da transformação da ordem dominante, da subversão do “poder branco” constituído não apenas pela formação de um novo “estado negro burguês”, mas de um amplo movimento revolucionário que unisse todos os povos subjugados pelo colonialismo e racismo. Logo, este novo poder – emanado dos ideias do Panafricanismo radical – seria tributário dos sujeitos históricos que se lançaram por edificar um novo edifício social dos escombros do capitalismo racial.
As lutas dos povos negros, na África e na Diáspora, continuam. Logo, a questão do poder não foi algo que ainda está em aberto. Lutar para nos inserir nesta ordem capitalista, colonialista e racista ou, ao contrário, subvertê-la pela emergência de novas formas de organização dos sujeitos da sociedade civil, da economia e do estado? Hoje, com os processos de redemocratização da América Latina, no qual os afro-descendentes tiveram destacada atuação, o surgimento de partidos políticos nos permite apresentar candidaturas negras, com potencial de identificar-se com as aspirações de nosso povo.
Infelizmente, a atitude preferencial das candidaturas negras é, ainda, omitir-se diante do problema do racismo em nossa sociedade. Raramente os candidatos negros assumem o debate racial como algo importante em sua plataforma política. Por outro lado, há uma tendência de adequação dos parlamentares negros, quando eleitos, aos limites da ordem institucional burguesa, ou seja, somos pressionados a reproduzir o padrão de “poder branco” dominante. Sub-repticiamente, a ideia de um “estado negro burguês” – que Malcom X abandona nos últimos anos de sua trajetória – reaparece no projeto de formação de uma elite negra docilizada, conformista e adequada aos cânones do poder dominante. Dentro deste projeto, tornamo-nos não construtores de uma nova ordem, mas sócios minoritários da ordem estabelecida. Não podemos confundir este projeto de elite negra, evidentemente, com os efeitos positivos e redistributivos das políticas de ação afirmativa, que tem como objetivo de corrigir distorções históricas, produto do racismo e da exploração econômica. Porém, elas não são um fim em si mesmo, mas parte de um projeto mais amplo de transformação social.
Temos, portanto, que enfrentar três questões:
A primeira, a ideia de que nós, negros e negras, não devemos disputar parcelas do poder político estabelecido.
Para um setor do movimento negro e da população negra, literalmente, a política é “coisa de brancos” – algo que não nos devemos meter. É necessário afirmar a vocação dos afrodescendentes ao exercício do poder político, disputando os espaços de representação institucional, afirmando-nos como sujeitos políticos fundamentais à formação do estado nacional.
Para outro setor, os partidos e a luta pela ocupação de espaços institucionais – pela disputa de cargos eletivos – seria uma forma “branca” e politicamente desorientadora de nossa estratégia “negra” e “africana” de luta pelo poder. Esta posição é equivocada porque deixa de partir de uma ação concreta e trabalha com a ideia de que o estado é uma estrutura imutável, incapaz de ser modificada pela ação política dos sujeitos sociais. Há um estado “branco” real e concreto, e outro – “negro” – que só pode existir em nossas mentes. Aqui não se trata de opor o estado branco a um poder negro que queremos construir: mas de lutar para que o estado se modifique no sentido de que as aspirações de nossa comunidade sejam realizadas.
A segunda, a ausência de uma plataforma política que unifique o conjunto das candidaturas negras. A construção desta plataforma política deve ser tarefa das organizações do movimento negro, popular e quilombola e assumida pelo conjunto das candidaturas identificadas com as aspirações da comunidade negra. O CONNEB – sepultado pelas entidades do movimento negro identificadas com o lulo-petismo (Conen e Unegro) – poderia ser uma importante ferramenta neste sentido.
A terceira, é pensar a ação institucional nos limites da atual ordem estatal. São tímidas as ações institucionais que procuram romper com séculos de uma ordem estatal voltada à manutenção dos privilégios da elite racista e burguesa dominante. No mais das vezes, nos situamos nos limites desta ordem. Projetos de iniciativa popular, assembléia de entidades negras, consultas periódicas são substituídos – no mais das vezes – por fóruns de caráter apenas consultivo (e não deliberativo); conselhos de “representantes” (como o da Seppir); ações institucionais com pouca ou nenhuma participação dos sujeitos diretamente interessados e afetados por elas; e leis que são mais “carta de intenções” que conquistas efetivas, a exemplo do que foi o acórdão entre DEM e PT que aprovou um conjunto esvaziado de leis que atende pelo nome de Estatuto da Igualdade Racial. Nada disto descarta as conquistas que alcançamos através da luta institucional – e podemos alcançar pela eleição de parlamentares negros - porém não retiram da ordem do dia a socialização e descentralização do poder político. A possibilidade de que o poder seja exercido diretamente pela maioria oprimida de nosso país.
Logo, não nos parece um fenômeno aleatório que partido como o PSOL sejam o que, no último período, mais tenha apresentado candidaturas negras identificadas com as principais reivindicações da comunidade negra (reparações, ação afirmativa, titulação e homologação do territórios quilombolas, denuncia e combate da faxina étnica e do extermínio da juventude negra, defesa e valorização da cultura negra, defesa da liberdade religiosa e das religiões de matriz africana). Os partidos, de uma maneira geral, tendem a se parecer cada vez mais uns com os outros, tendo cada vez mais dificuldade em se identificar com as bandeiras de luta de nossa comunidade.
A enfrentarmos as questões acima avançaremos em afirmar a importância das candidaturas negras no sentido de realizar a utopia libertadora de Malcom X e dos líderes panafricanistas radicais.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
" PRÁXIS ": Prefeito de Embu das Artes é RÉU em Crime Ambienta...
" PRÁXIS ": Prefeito de Embu das Artes é RÉU em Crime Ambienta...: Chico Brito é réu por crime ambiental. ProfessorToninho, presidente do PSOL de Embu das Artes, move ação popular contra Chico Brito e Nel...
Prefeito de Embu das Artes é RÉU em Crime Ambiental !
- Chico Brito é réu por crime ambiental.
- ProfessorToninho, presidente do PSOL de Embu das Artes, move ação popular contra Chico Brito e Nelson da Padaria, secretário de serviços urbanos, por crime ambiental. Veja abaixo a liminar concedida pelo Juiz Paulo Bernardi Baccarat
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Rede Record: Toneladas de lixo são despejados ao lado de Hospital em Embu das Artes
No dia 25/01 equipe de reportagem da rede Record esteve no local e confirmou a denuncia, apesar do lixão já estar menor, pois sabendo das denuncias do PSOL, o prefeito mandou as maquinas compactarem o lixão.
Prefeitura de Embu das Artes despeja
lixo ao lado de hospital
Lixão fica próximo à Secretaria de Obras, que causa vazamento de asfalto
Do R7, com Jornal da Record
A Prefeitura de Embu das Artes (SP) despeja, há quatro anos, entulho e detritos no terreno onde funciona também a Secretaria de Obras e Serviços Urbanos. Além do lixão improvisado, os resíduos de asfalto que escorrem dos reservatórios da secretaria contaminam o solo da região do hospital.
A situação incomoda moradores e apresenta riscos a pacientes do posto de saúde e maternidade que ficam próximos ao local.
De acordo com uma médica sanitarista, o lixão, por ficar muito próximo ao hospital, pode causar infecção hospitalar e proliferação de insetos, como baratas, aranhas e até escorpiões.
Leia a reportagem e veja o video neste link :http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/prefeitura-de-embu-das-artes-despeja-lixo-ao-lado-de-hospital-20120125.html
Fotos do lixão:

sexta-feira, 29 de julho de 2011
LUTA PELA SAUDE!
Amanhã PSOL EMBU na rua! Largo do Santa Tereza as 10 hs. A luta pela SAUDE continua!
Acessem psolsp.org.br/embu/
quarta-feira, 27 de julho de 2011
O "Socialismo dos Ricos", ou "O Polulismo" | Ousar Lutar!!! Ousar Vencer!!!
por Milton Temer publicado originalmente pela Fundação Lauro Campos.
Deu na primeira página do "ValorEconômico", um dos espaços de mídia onde se encontra jornalismo de qualidade. Abilio Diniz vai atrás de R$ 3,9 bi do BNDES, para uma operação de fusão Pão de Açucar-Carrefour, onde não entrará com UM TOSTÃO, mas passará a controlar 32,2% das vendas do varejonacional. Sem colocar um tostão do seu bolso, vale repetir.
Logo a seguir,"Commodities representam 71% do valor das exportações" mancheteia uma matéria que, no corpo, revela a fragilidade da operação - a maior parte está baseada em produtos, cujo preço não controlamos- . Ou seja; se a crise da dívida norte-americana radicalizar por disputas eleitorais entre democratas e republicanos, nos Estados Unidos, e a China mudar o eixo do comércio internacional, diminuindo importações, olha nós, aí, no brejo.
O grave é que o porcentual de commodities sobre manufatarados aumentou na balança de exportações. Em relação ao ano passado, aumentaram 39,1%, enquanto os manufaturados subiram apenas 15,1%.
Resta o plano inferior da página: "Na Olimpíada, uma antevisão da crise grega". Por que? Simples. Gastos iniciais de US$ 1,5 bilhões, terminaram em US$ 11,9 bi, oficialmente, porque há indícios, diz o texto, de que possa ter chegado a 30 bilhões de Euros - mais que US$ 40 bilhões.
Mas vamos tratar especificamente da manchete principal, porque a lusitana ainda está girando, e a torcida é grande para que o sócio francês de Diniz, o Casino, consiga melar a baderna.
Para quem gerou um "sequestro" suspeitíssimo na véspera do segundo turno em 1989, com Lula tendo grandes chances de vitória comprometidas pelas suspeitas de ligações políticas com os sequestradores, esse neopetista realmente progrediu. Virou, junto com Gerdau, os controladores do Bradesco e Itaú; junto com os predadores do agronegócio, um dos principais "aliados" do lulismo pragmático.
Esta mais recente ameaça de tenebrosa transação comprova como o polulismo, digo, o populismo lulista, foi competente na matamorfose em que transformou um projeto classista de transformação radical da realidade brasileira no mais eficaz agente do capital monopolista em nosso país.
Em oito anos, conseguiu gerar um modelo em que todos ganham - uns muito mais que outros, evidentemente -, mas suficientemente para colocar colchões amortecedores entre classes em conflito. Sintetizando, esses quase R$ 4 bi que o BNDES pode proporcionar à manobra de Diniz, correspondem à metade do que foi destinado a tornar "felizes" 11 milhões de famílias com a Bolsa, em 2007. E cito 2007, pois foi o último ano em que me preocupei em seguir a relação lucros bancários x combate à miséria por políticas assistencialistas. Naquele então, o destinado à Bolsa família, em 12 meses, correspondia ao lucro, em 9 meses, do segundo maior banco privado brasileiro, o Bradesco. Porque o primeiro, o Itaú, nesses mesmos 9 meses, tivera um lucro exatamente R$ 500 milhões maior que o despendido com o "social".
Pois bem; sob a ótica do prestígio ao desenvolvimentismo, sobre o monetarismo - na essência, louvável -, estamos, mais uma vez e de fato, diante de uma proposta clara de privatização do lucro, com socialização previsível do prejuízo.
Os recursos que faltam para as políticas públicas, em virtude de um criminoso superávit fiscal, voltado a garantir retorno aos bancos, e sem risco de tudo o que se especula com a dívida pública - crescente em progressão geométrica desde que o modelo macroeconômico se iniciou lá no mandarinato tucano-pefelista de FHC - são acrescidos agora pelos constantes "empréstimos" que o Tesouro vem fazendo ao BNDES. Empréstimos que se transformam em transferências subsidiadas para as operações - reitero, sem riscos - do grande capital, em suas operações de fusão. Operações de fusão que, é bom ser dito, em nada vêm impedindo a constante desindustrialização do nosso parque produtivo, em benefício de operações financeiras que ninguém sabem onde vão dar.
Barra pesada que, no dia seguinte ao desligamento de um quadro histórico e simbólico, como Vladimir Palmeira, deve servir de reflexão aos petistas que ainda acreditam que o PT seja "socialista", como consta do programa.
Ou será que estariam de acordo em defender o que Noam Chomsky definiu como "socialismo dos ricos"?
Milton Temer é jornalista
O grave é que o porcentual de commodities sobre manufatarados aumentou na balança de exportações. Em relação ao ano passado, aumentaram 39,1%, enquanto os manufaturados subiram apenas 15,1%.
Resta o plano inferior da página: "Na Olimpíada, uma antevisão da crise grega". Por que? Simples. Gastos iniciais de US$ 1,5 bilhões, terminaram em US$ 11,9 bi, oficialmente, porque há indícios, diz o texto, de que possa ter chegado a 30 bilhões de Euros - mais que US$ 40 bilhões.
Mas vamos tratar especificamente da manchete principal, porque a lusitana ainda está girando, e a torcida é grande para que o sócio francês de Diniz, o Casino, consiga melar a baderna.
Para quem gerou um "sequestro" suspeitíssimo na véspera do segundo turno em 1989, com Lula tendo grandes chances de vitória comprometidas pelas suspeitas de ligações políticas com os sequestradores, esse neopetista realmente progrediu. Virou, junto com Gerdau, os controladores do Bradesco e Itaú; junto com os predadores do agronegócio, um dos principais "aliados" do lulismo pragmático.
Esta mais recente ameaça de tenebrosa transação comprova como o polulismo, digo, o populismo lulista, foi competente na matamorfose em que transformou um projeto classista de transformação radical da realidade brasileira no mais eficaz agente do capital monopolista em nosso país.
Em oito anos, conseguiu gerar um modelo em que todos ganham - uns muito mais que outros, evidentemente -, mas suficientemente para colocar colchões amortecedores entre classes em conflito. Sintetizando, esses quase R$ 4 bi que o BNDES pode proporcionar à manobra de Diniz, correspondem à metade do que foi destinado a tornar "felizes" 11 milhões de famílias com a Bolsa, em 2007. E cito 2007, pois foi o último ano em que me preocupei em seguir a relação lucros bancários x combate à miséria por políticas assistencialistas. Naquele então, o destinado à Bolsa família, em 12 meses, correspondia ao lucro, em 9 meses, do segundo maior banco privado brasileiro, o Bradesco. Porque o primeiro, o Itaú, nesses mesmos 9 meses, tivera um lucro exatamente R$ 500 milhões maior que o despendido com o "social".
Pois bem; sob a ótica do prestígio ao desenvolvimentismo, sobre o monetarismo - na essência, louvável -, estamos, mais uma vez e de fato, diante de uma proposta clara de privatização do lucro, com socialização previsível do prejuízo.
Os recursos que faltam para as políticas públicas, em virtude de um criminoso superávit fiscal, voltado a garantir retorno aos bancos, e sem risco de tudo o que se especula com a dívida pública - crescente em progressão geométrica desde que o modelo macroeconômico se iniciou lá no mandarinato tucano-pefelista de FHC - são acrescidos agora pelos constantes "empréstimos" que o Tesouro vem fazendo ao BNDES. Empréstimos que se transformam em transferências subsidiadas para as operações - reitero, sem riscos - do grande capital, em suas operações de fusão. Operações de fusão que, é bom ser dito, em nada vêm impedindo a constante desindustrialização do nosso parque produtivo, em benefício de operações financeiras que ninguém sabem onde vão dar.
Barra pesada que, no dia seguinte ao desligamento de um quadro histórico e simbólico, como Vladimir Palmeira, deve servir de reflexão aos petistas que ainda acreditam que o PT seja "socialista", como consta do programa.
Ou será que estariam de acordo em defender o que Noam Chomsky definiu como "socialismo dos ricos"?
Milton Temer é jornalista
Assinar:
Postagens (Atom)





